Análise dos níveis sorológicos de Ferritina

Veja o resultado de 7967 amostras coletadas em laboratório de análises clínicas

A demanda da solicitação de dosagem de ferritina duplicou nestes 2 últimos anos e a frequência de resultados anormais colocam em alerta os médicos. Após comentários técnico-científicos de alguns médicos em Cascavel sobre a incidência de resultados laboratoriais com níveis elevados de ferritina, estimularam o Laboratório Biovel a fazer um estudo da frequência destes resultados na rotina em um determinado período. A pesquisa foi realizada através do banco de dados do software usado no laboratório.

Através de consultas a um grande número de publicações, foi constatado que o perfil dos resultados obtidos na região oeste do Paraná, não difere dos apresentados no mundo inteiro. O exemplo do estudo realizado no Freeman Hospital (UK), descrito nos comentários, analisou somente os pacientes com níveis maiores que 1.500,0 ng/mL de ferritina. Sendo que destes 406 pacientes, 8,6 % tinham sobrecarga de ferro e após exames laboratoriais, diagnosticados como portadores de hemocromatose. Demonstrando que outras condições clínicas estão associadas à hiperferritenemia.

 

O objetivo do estudo foi apresentar os percentuais de resultados baixos, normais e elevados, sem considerar sexo, idade e patologia associada. Desta forma estabeleceu-se usar o valor de referência mínimo e o máximo (feminino e masculino) como base de cálculo dos percentuais apresentados. Nas próximas edições, o departamento de TI do Biovel, após alterações do sistema, dará a opção de fazer estratificação pela idade e sexo.

 

Comentários sobre a hiperferritemia

Níveis elevados de ferritina sérica é um achado comum no exame de sangue de rotina em pacientes, segundo George Krucik, MD (revisor do Healthline), com sinais clínicos de fadiga inexplicável, dor nas articulações, fraqueza inexplicável, palpitações ou dores no peito. Essas pessoas são muitas vezes encaminhadas para avaliação de hemocromatose. Embora a sobrecarga de ferro seja uma causa de elevados níveis de ferritina no soro, muitas outras condições clínicas podem resultar em diferentes graus de hiperferritinemia.

Em um estudo realizado no departamento de gastroenterologia do Hospital Freeman (UK), foi analisado um total de 19 583 dosagens de ferritina, sendo que 406 tinha níveis superior a 1500,0 ng/mL1. As causas mais comuns dos elevados níveis foram; insuficiência renal (28%), doenças hematológicas (25%), doença hepática alcoólica (22,0%), neoplasia (19,3%), doença inflamatória (18,6%), repetidas transfusões de sangue (17,3%), Doença autoimune (14,0%), outras doenças do fígado (13,3%), perda excessiva de peso (11,3%), Hemocromatose (8,6%), desconhecido (2,0%) e HIV (1,4%). Discretas elevações de ferritina são também observadas em pacientes que consomem álcool diariamente, obesidade, inflamação crônica, tireotoxicose, síndrome metabólica e hepatites. Na prática clínica, a hiperferritinemia pode ser considerada como indicativo de sobrecarga de ferro em homozigotos C282Y na ausência dos fatores listados acima2.

 

Tabela – 1. Resultados de 7967 dosagens de ferritina  realizadas  no período de 01 de janeiro a 31 de agosto de 2014 no Laboratório Biovel, estratificados em 3 grupos ( níveis baixos, normal e elevados).

 

Tabela – 2. Análise de 1263 amostras com valores elevados de ferritina estratificados em 5  grupos.

 

Valores de referência – Laboratório Biovel

 

 

Comentários

O Índice saturação de transferrina (IST) é o método mais sensível para predizer se os níveis de ferritina elevada representa sobrecarga de ferro.

O IST > 60% nos homens e > 50% em mulheres tem uma sensibilidade MAIOR QUE 90% para sobrecarga de ferro. Sê o IST apresenta-se elevada em mais de uma ocasião, fazer o teste para identificar as mutações do gene HFE (mutações C282Y e H63D). É indicado para pacientes caucasianos3, 4.

 

 

Interpretação de resultados

Serum Ferritin and Iron Studies – Laboratory Reporting and Clinical Application in Primary Care

Catherine Ogilvie and Edward Fitzsimons . Department of Haematology, Gartnavel General Hospital, Glasgow,UK,2010.

 

 

Bibliografia

1.Sarah Hearnshaw, Nick Paul Thompson, Andrew McGill . The epidemiology of hyperferritinaemia .World J Gastroenterol 2006 September 28; 12(36): 5866-5869.

2. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines for HFE Hemochromatosis.J Hepatol (2010). doi: 10.1016/j.jhep.2010.03.001

3. Olynk J, Cullen D, Aquilia S, Rossi E, Summerville L, Powell L. A. Population-based study of the clinical expression of the hemochromatosis gene. New England Journal of Medicine 1999;

341:718–724.

4. McLaren C, McLachlan G, Halliday J. Distribution of transferrin saturation in an Australian population: relevance to the early diagnosis of hemochromatosis. Gastroenterology 1998; 114:543–549.

 

 

Laboratório Biovel fazendo a diferença como prestador de serviços auxiliares ao diagnóstico.

 

Outubro de 2014